Dinastia das Canetas!

O Breather Tube da Parker 51

Esta página tem o objetivo de informar sobre os materiais e processo de restauração utilizados em nossa oficina.

 

                 Figura 1 - Breather tube quebrado

A caneta Parker 51 foi oficialmente lançada nos Estados Unidos em 1941 com sistema de enchimento vacumatic, utilizado até 1948. A partir deste ano, a empresa adotou um sistema revolucionário, inicialmente conhecido como "Foto-fill", renomeado para "Aerometric". 


Muitos colecionadores dizem que a Parker 51 aerométrica é quase infalível e que basta uma limpeza com água e a caneta volta a funcionar. Será?

 

De fato, muitas canetas aparentam estar funcionando normal mesmo depois de 60 anos. Entretanto, a Parker utilizava um tubo capilar de prata esterlina acoplado ao alimentador. O problema deste material é a corrosão. Muitas canetas que são restauradas possuem esse tubo quebrado na base do alimentador, ou completamente corroido, sendo este essencial para o enchimento da caneta. Sem ele, a caneta possui 1/4 da capacidade do reservatório. Outra função importante do "Breather tube" é a equalização da pressão interna com a do ambiente, permitindo que a caneta não apresente vazamentos.

A Figura 1 mostra dois alimentadores, sendo o da direita com o pedaço do Breather tube quebrado no interior. Já o da esquerda está perfeito, pronto para receber uma nova peça. 

A Figura 2 mostra alguns exemplos de Breather tube encontrados nas canetas Parker 51.  De cima para baixo, os dois primeiros tubos estão em excelente estado. Os outros são tubos que oxidaram e, consequentemente, quebraram ou racharam.

Figura 2 - Exemplos de Breather tube

Figura 1

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         Figura 3 - Furo Lateral                               

 

Agora, um detalhe muito pequeno, com 0,3 mm chama atenção, confrme a Figura 3. O breather tube da 51 contava com um pequeno furo de 0,3 mm na lateral, perto do encaixe do alimentador, conforme a patente do modelo (disponível em https://patents.google.com/patent/US2612867?oq=2%2c612%2c867). Esse detalhe permite que a tinta tenha um caminho de retorno para o reservatório quando há expansão na pressão interna da caneta. Isso faz a caneta ter o sistema conhecido como Aerométrico. Uma grande vantagem desse sistema é a possibilidade de usar a caneta em aviões, sem o risco de vazamento.

 

Muitos restauradores criticam o tubo metálico, porque ele não aguenta a tinta, oxida e estraga e acabam optando por usar o tubo de plástico da antecessora Vacumatic, pois este se prova mais confiável e a prova de falhas, porem, perde a maior vantagem do sistema aerométrico. Inclusive a própria Parker voltou a utilizar o tubo plástico nas canetas fabricadas a partir do final da década de 50.

 

Dessa forma, o serviço de restauração da loja está oferecendo um tubo de mesmas dimensões do original de prata, porém em aço inox 304. Ou seja a caneta será restaurada nos mínimos detalhes e permanecerá com as características originais do modelo, com uma vantagem: Material de qualidade superior. O breather tube fabricado na oficina está mostrado na Figura 4.

 

Figura 4 - Reprodução de Breather Tube em Aço Inox 304

 

A Figura 5 mostra o preparo para o teste de capacidade da Parker 51 em 3 situações diferentes: sem Breather tube, com o de plástico e o de metal oferecido pela Dinastia das Canetas. O teste consiste em utilizar um unico reservatório e 3 conjuntos de alimentador e coletor diferentes.

Figura 5 - Preparo para a comparação

 

A Figura 6 mostra a capacidade de três situações em relação ao Breather tube. À esquerda, a caneta está sem o Breather tube. No meio, está com o tubo de plástico. À direita, o de metal com o furo na lateral de 0,3 mm. A linha vermelha mostra a altura da água dentro do reservarótio.


Figura 6 - Comparação de Capacidade